FARMACOLOGIA DO TRATO GASTROINTESTINAL
O
tubo digestivo vai desde a cavidade oral até o reto e envolve o esôfago,
estômago, intestino delgado e grosso. Fornecendo ao organismo um suprimento
contínuo de água, eletrólitos e nutrientes. Os vasos sanguíneos do sistema
gastrintestinal fazem parte de um sistema mais extenso que inclui o fluxo
sanguíneo através do próprio intestino juntamente com o fluxo sanguíneo pelo
baço, pâncreas e fígado. (GUYTON & HALL, 2006).
A
farmacologia do Trato Gastrintestinal (TGI) vai atuar basicamente no estômago e
no intestino delgado e grosso, onde se terá a farmacoterapia da doença do
refluxo gastroesofágico, acidez gástrica e úlceras pépticas. No presente
trabalho serão abordadas especialmente estas questões farmacológicas.
A secreção
gástrica se dá através de três peptídeos gastrintestinais: a acetilcolina, a
histamina e a gastrina. Lembrando que o trato gastrintestinal tem o seu próprio
sistema nervoso, denominado sistema nervoso entérico. Este sistema vai regular
toda a sinapse no trato gastrintestinal para que ocorra a digestão e o
peristaltismo. O sistema nervoso vai sinalizar, por exemplo, que já está na
hora de comer, então enviará estímulos ao sistema nervoso entérico, o qual
deverá preparar o TGI para receber o alimento, o neurotransmissor envolvido
neste mecanismo é a acetilcolina. Esta, por sua vez, é liberada pelos neurônios
e estimula receptores muscarínicos específicos (M1, M3),
que são os receptores em maior quantidade no sistema nervoso entérico, nas
células parietais e células com histamina (SIQUEIRA; MENDES; BORGES, 2003).
A histamina
também tem um importante papel na secreção gástrica, é um hormônio que no trato
gastrintestinal tem função parácrina quando liberada induz a produção do HCL. A
gastrina, por sua vez, é um hormônio específico do TGI, produzido no antro do
estômago pelas células G, que tem a função de estimular a secreção gástrica
pelas células parietais, sendo controladas por mediadores neuronais,
hematogênicos e efeitos diretos sobre a mucosa (aminoácidos e pequenos
peptídeos). Sua secreção é inibida quando o pH cai para 2,5 ou menos. A
somatostatina é o hormônio produzido para inibir a gastrina, quando a mesma
está em excesso. Já as prostaglandinas inibem a secreção ácida, estimula a
secreção de muco e bicarbonato; diminui a aderência leucocitária ao endotélio;
e aumentam ou mantém o fluxo sanguíneo. As principais são PGE 2 e PGI 2 (PAYNE;
GERBER, 2005).
As doenças
ácido-pépticas são aquelas onde o ácido gástrico e a pepsina constituem fatores
patogênicos necessários. A pepsina é uma enzima digestiva que é produzida pelas
células da parede gástrica, secretada no suco gástrico, e tem como função
desdobrar as proteínas em péptidos mais simples. Esta enzima reage apenas em
meio ácido, como no estômago, que através das célulasparietais, estimuladas
pela presença do hormônio gastrina, produzem o ácido clorídrico (HCl). Na
presença do mesmo, a forma inativa desta enzima, o pepsinogênio, presente no
suco gástrico, transforma-se em pepsina. A mucosa gástrica, por sua vez, é
protegida por muco e bicarbonato, estimulados pela geração local de
prostaglandinas (PGs) (VILELA, 2008).
Os
antiácidos atuam ao neutralizar o ácido gástrico, elevando, assim o pH
gástrico. Isso só tem por efeito inibir a atividade péptica, que praticamente cessa com
um valor de pH de 5.
Os
antiácidos de uso comum consistem em sais de magnésio e de alumínio, que formam
cloretos de magnésio e cloretos de alumínio. Os sais de magnésio causam
diarréia, enquanto os sais de alumínio
provocam constipação, razão pela qual
podem ser utilizadas misturas desses dois sais para preservação da função intestinal normal. Apesar de o bicarbonato de sódio elevar
rapidamente o pH para 7, ocorre
liberação de dióxido de carbono, causando eructação. O CO2 estimula a secreção de
gastrina (o CO2 é encontrado em
abundância nos refrigerantes) e pode resultar em elevação secundária da secreção ácida. Como
ocorre absorção de algum bicarbonato de sódio no intestino, o uso de grandes doses ou administração freqüente pode causar
alcalose.
Em
gestantes é muito comum a sensação de náuseas e queimação no primeiro trimestre
da gravidez. Cabe ao médico que acompanha a gravidez ou o enfermeiro que
realiza o pré-natal, as condutas e os medicamentos que a gestante pode ou não
usar. O uso corretos destes medicamentos é muito importante para que não ocorra
nenhuma complicação durante a gestação. Caso venha a ocorrer um efeito adverso
na paciente, o medicamento usado deve ser logo abolido.
REFERÊNCIAS
Guyton,
Arthur Clifton, John E. Hall, and Arthur C. Guyton. Tratado de fisiologia médica. Elsevier Brasil, 2006.
SIQUEIRA, FR; MENDES, VB; BORGES, EL. Sistema Digestivo. PID – 2003.
Disponível em: < http://www.icb.ufmg.br >.
PAYNE, NA; GERBER, JG. Efeitos diferenciais da
somatostatina e prostaglandinas sobre a liberação de histamina gástrico para
pentagastrina. 2005. Disponível em: <http://jpet.aspetjournals.org>.
VILELA, ALM. O Sistema Digestório. 2008. Disponível
em: <http://www.afh.bio.br>.
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